Existe uma pintura que o Criador refaz a cada amanhecer — e que só pode ser vista por quem decidiu, naquele dia, realmente acordar

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Existe uma pintura que o Criador refaz a cada amanhecer — e que só pode ser vista por quem decidiu, naquele dia, realmente acordar

(inspirado no filme Local Color)

Existe um museu que nunca fecha.

Ele não tem bilheteria, nem paredes brancas, nem silêncio forçado.
Não há fila, nem curador, nem plaquinhas com palavras tentando prender o que é vivo.

Esse museu é o mundo ao redor de você.
E, ainda assim, tanta gente atravessa seus corredores com os olhos apagados — como quem passa por um céu em chamas e chama isso apenas de “mais um dia”.

A Natureza expõe obras que nenhuma mão humana consegue copiar por inteiro.
Não por falta de talento, mas porque há coisas que não cabem só na cor: cabem no ar, no tempo, na presença.


A cor que existe antes do nome

Você já viu o verde exato de uma folha recém-nascida depois da chuva?

Não o verde que você sabe dizer.
Não o verde que você encontra em uma paleta de tinta.
Mas aquele verde de poucos dias — quando a folha ainda está aprendendo a ser folha.

Essa cor não pede permissão para existir.
Ela não espera que alguém a batize.
Ela simplesmente acontece — como um sussurro do éter atravessando a matéria.

E isso diz algo profundo sobre o Mistério que cria:
a beleza não precisa da nossa aprovação para florescer.


Ver é um ato — e precisa ser escolhido

A maior parte do que existe foi feita para ser vista… e é esquecida todos os dias.
Não por maldade. Por pressa. Por costume. Pela cabeça curvada para uma luz artificial enquanto, lá fora, a luz do fim de tarde faz alquimia no céu.

Há tons que duram onze minutos.
E nunca mais se repetem do mesmo jeito.

O pôr do sol de ontem não volta.
O de hoje está indo embora agora.

E o pintor desse quadro — o vento, o tempo, o fogo do horizonte — não se ofende com a nossa distração. Ele cria mesmo assim.
Com uma generosidade desconcertante: a de quem cria porque é da sua natureza criar.

A pergunta é simples, como água na pedra:
você está disponível para ver?


A paleta da Terra não foi feita para competição

Há algo humilde — e sagrado — em sentar diante de uma flor e tentar capturá-la.

Quem já tentou sabe: não se captura.
Não porque falta técnica, mas porque o original carrega algo que vai além do visível.

A flor tem presença.
Tem o silêncio depois do vento.
Tem o cheiro da terra úmida.
Tem a memória invisível da chuva.

A Natureza não é um objeto. É um acontecimento.

O artista verdadeiro, diante disso, não compete — traduz.
Ele não diz “olhem o que eu fiz”.
Ele diz: “olhem o que existe”.

E talvez essa seja a forma mais honesta de arte:
a que revela em vez de inventar,
a que aponta em vez de se impor.


O que acontece quando você realmente para

Há um exercício pequeno, mas poderoso — um portal discreto.

Sente-se em algum lugar: um jardim, um parque, uma calçada com uma árvore antiga, ou até a janela que você atravessa sem perceber.
E fique cinco minutos sem fazer nada.

Sem foto.
Sem legenda.
Sem anotar para usar depois.

Só olhar.

Nos primeiros instantes, a mente tenta correr — como ar inquieto.
Depois, algo amolece.
E você começa a ver o que sempre esteve ali.

A textura da casca.
O amarelo escondido dentro do que você chamava de verde.
O movimento mínimo de uma folha que não parece estar no vento… mas está. Sempre esteve.

A Natureza não esconde suas obras.
Somos nós que chegamos tarde — com olhos cheios demais.


Reverenciar é diferente de admirar

Admirar é passar por uma beleza e pensar: “que lindo”.
Reverenciar é deixar que ela faça algo em você.

Reverenciar é reconhecer: isso foi feito por uma inteligência maior do que eu explico.
É permitir que o coração mude de posição por dentro.

Cada pétala é uma equação que a ciência descreve…
e um poema que a alma simplesmente recebe.

Quando foi a última vez que você recebeu a beleza do mundo como presente —
e não como cenário?


A cor mais rara não está na floresta

Existe uma cor que não se vê com os olhos.
Ela aparece quando alguém para de verdade.

Ela nasce no instante em que a vida, por um segundo, fica maior do que as preocupações.
Quando o peito abre.
Quando o mundo deixa de ser “lá fora” e volta a ser casa.

Talvez você já tenha sentido:
uma luz entrando pela janela,
o riso de uma criança,
o azul do céu num dia frio,
o silêncio bom depois de uma notícia difícil.

Isso não é acidente.
É convite.

O Criador convida o tempo todo — através de cada obra exposta.
A pergunta é: você está indo ao encontro?


O que a Natureza nos ensina sobre criar

A Natureza não pede licença para ser bela.
Não explica a escolha das cores.
Não justifica a exuberância.
Ela não pede aprovação antes de florir.

Ela cria — como fogo, como água, como terra, como ar.
Com entrega. Sem vergonha de ser demais.

E nessa liberdade há uma lição para quem cria — e também para quem esqueceu que cria:

Você também foi feito para isso.
Para criar com a mesma verdade com que o vento desenha dunas,
com que a chuva pinta pedras,
com que o tempo espalha musgo em ruínas.

Não para competir com o Mistério.
Mas para reverenciá-lo através do que você coloca no mundo:
nas mãos, nas palavras, nas escolhas, na forma como você está presente.


Para levar

Da próxima vez que você sair de casa, haverá uma escolha silenciosa te esperando:

Você pode passar.
Ou você pode ver.

Não é uma questão de tempo.
É uma questão de disponibilidade.

A paleta do Criador está exposta todos os dias, em todo lugar — para qualquer pessoa disposta a abrir algo que vai além dos olhos.

Abrir isso não é ingenuidade.
É uma das formas mais sofisticadas de estar vivo.

Deixo aqui uma sugestão de filme – LOCAL COLOR — Uma escolha do olhar,  porque ver é um ato que se aprende, se pratica… e um dia se passa adiante.

Uma pergunta para você levar hoje:
em qual parte da sua rotina existe uma beleza que você parou de ver — e que, se você olhasse de verdade agora, poderia mudar alguma coisa em você?

Em gratidão, graça e alegria,

 Mônica Lampe


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Desenvolvimento Humano Multidimensional
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