
O Cérebro Sob Ataque: As Mudanças Fisiológicas Provocadas pelo Abuso Narcisista
31 de julho de 2026
A Terra Não Se Abre ao Orgulhoso
1 de agosto de 2026Antes de Compreender o Universo
A ciência da sintonia, os limites da quântica e a ética da cocriação
“A criatura vil é ambiciosa. Nem dá conta de governar o universo das suas própias emoções e supõe ter poder para compreender as leis e governar o universo, como se o universo fosse dar asas à cobra. A linguagem do universo é o amor. Qualquer emoção ou sentimento contrário ao amor não atravessa os portais da cocriação. Não importa o quão importante o ser se considere, justificando-se em máximas espirituais vivenciadas por outros mais humildes.”
— Grande Avó Jaci
Há frases que não chegam apenas para serem compreendidas. Elas chegam para nos atravessar.
As palavras da Grande Avó Jaci nos colocam diante de um espelho incômodo e necessário: o ser humano deseja conquistar planetas, controlar territórios, conduzir povos, interferir nos destinos da natureza e decifrar os mistérios do cosmos, mas ainda não aprendeu a permanecer consciente diante de uma frustração, de uma contrariedade ou de uma ferida antiga.
Queremos governar o universo antes de aprender a governar o universo interior das próprias emoções.
E o universo interior não é pequeno.
Dentro de cada ser existem constelações de memórias, luas de silêncio, tempestades emocionais, desertos de ausência, oceanos de desejo e regiões de sombras ainda não iluminadas pela consciência. Há em nós forças de criação e destruição, impulsos de cuidado e domínio, sementes de compaixão e raízes ocultas de medo.
Governar esse território não significa reprimir o que sentimos, negar a sombra ou construir uma aparência artificial de serenidade. Significa aprender a reconhecer cada emoção sem permitir que ela assuma o trono da consciência.
A raiva pode ser uma mensageira, mas não deve tornar-se soberana.
O medo pode advertir sobre um perigo, mas não deve escrever sozinho o destino.
A tristeza pode abrir caminhos profundos de compreensão, mas não precisa transformar-se em identidade.
O desejo pode impulsionar a vida, mas, quando divorciado da ética, converte-se em ambição cega.
A neurociência acrescenta uma nuance importante a essa reflexão: nenhuma emoção humana é, em si mesma, má ou contrária ao amor. Medo, raiva e tristeza fazem parte de sistemas adaptativos que nos ajudam a detectar ameaças, estabelecer limites, elaborar perdas e responder ao ambiente. O problema começa quando a emoção deixa de ser informação e se torna governo; quando a raiva se converte em violência, o medo em perseguição, a dor em crueldade e o desejo em exploração.
Regular emoções não é eliminá-las. É ampliar o espaço entre o impulso e a ação.
Pesquisas sobre regulação emocional mostram que estratégias como a reavaliação cognitiva — a capacidade de reinterpretar conscientemente uma situação — envolvem a interação entre regiões relacionadas ao controle cognitivo e sistemas ligados à geração das respostas emocionais. Isso significa que o governo interior não é apenas uma imagem espiritual: ele corresponde, em alguma medida, à capacidade de o cérebro integrar sensação, memória, significado e escolha antes de transformar uma experiência em comportamento (OCHSNER; GROSS, 2005; GROSS, 2015).
O cérebro aprende aquilo que repetimos
A criatura vil mencionada pela Grande Avó talvez não seja apenas uma figura externa. Talvez represente uma possibilidade que habita todo ser humano: a parte de nós que deseja poder sem responsabilidade, conhecimento sem sabedoria, autoridade sem maturidade e expansão sem amor.
Essa criatura deseja receber asas antes de aprender a não inocular o próprio veneno.
E o cérebro, em sua plasticidade, pode fortalecer tanto os caminhos da compaixão quanto os caminhos da hostilidade.
Aquilo que repetimos tende a tornar-se mais disponível. Pensamentos, comportamentos, modos de atenção e respostas emocionais praticados continuamente participam da reorganização funcional do sistema nervoso. A neuroplasticidade dependente da experiência mostra que o cérebro não é uma estrutura imóvel: ele é moldado, dentro de certos limites, pelo uso, pela aprendizagem e pela repetição (KLEIM; JONES, 2008).
Isso não significa que basta “pensar positivo” para alterar toda a realidade. Significa algo mais exigente: cada repetição deixa rastros.
Cada vez que alimentamos deliberadamente o ressentimento, tornamos mais acessível a estrada que conduz a ele.
Cada vez que interrompemos uma reação automática, criamos a possibilidade de outro caminho.
Cada vez que praticamos a escuta, a presença, a compaixão e o discernimento, treinamos capacidades que podem tornar-se mais estáveis.
Práticas contemplativas, quando estudadas com critérios científicos, têm sido associadas a processos de atenção, autorregulação, consciência corporal e regulação emocional. Os resultados não autorizam promessas milagrosas, e os próprios pesquisadores reconhecem limitações metodológicas, mas indicam que o cultivo sistemático da presença pode influenciar a maneira como nos relacionamos com pensamentos e emoções (TANG; HÖLZEL; POSNER, 2015).
Talvez seja isso o que antigas tradições chamavam de vigiar o coração.
Não vigiar para condenar.
Vigiar para não entregar as chaves do templo ao primeiro impulso que atravessa seus portões.
A ciência da sintonia
A linguagem espiritual frequentemente utiliza palavras como sintonia, frequência e vibração. São palavras belas, mas precisam ser empregadas com discernimento quando atravessam a fronteira da ciência.
Na física, vibração é um movimento oscilatório mensurável. Na neurociência, oscilações neurais são variações rítmicas da atividade elétrica de populações de neurônios. Tudo isso gera um campo. Isso significa, porém, que amor, inveja ou arrogância possuam uma frequência física específica que informa o campo.
Quando dizemos que alguém “vibra no amor”, estamos usando, sobretudo, uma metáfora para descrever um estado integrado de intenção, emoção, presença e conduta.
A metáfora, entretanto, não é vazia.
Seres humanos realmente se afetam.
O tom da voz, a expressão facial, o ritmo da fala, a respiração, a postura, a atenção e a qualidade da escuta participam de processos de regulação mútua. Estudos sobre comunicação demonstraram que, durante uma narrativa bem compreendida, padrões de atividade cerebral do falante e do ouvinte podem apresentar acoplamento temporal. Quanto maior a compreensão compartilhada, maior pode ser essa correspondência entre determinadas dinâmicas neurais (STEPHENS; SILBERT; HASSON, 2010).
Também existem pesquisas sobre sincronização fisiológica interpessoal, observada em parâmetros do sistema nervoso autônomo durante diferentes formas de interação. Essa sincronização não é telepatia nem fusão de consciências. É a expressão corporal de organismos sociais que continuamente leem sinais, antecipam respostas e se ajustam uns aos outros (PALUMBO et al., 2017).
Assim, “estar em sintonia” pode ser compreendido, cientificamente, como a emergência de coordenação.
Duas pessoas em diálogo não trocam apenas palavras. Trocam ritmos, silêncios, gestos, expectativas e estados de segurança ou ameaça.
Uma presença calma pode favorecer a calma do outro.
Uma presença hostil pode mobilizar defesa.
Uma palavra de acolhimento não altera magicamente as leis da matéria, mas pode alterar a respiração, a atenção, o significado atribuído à experiência e a decisão que virá em seguida.
E decisões alteram destinos.
Cocriação não é onipotência
A cocriação exige sintonia, mas sintonia não significa submissão do universo ao desejo egoista individual.
Não se trata apenas de desejar intensamente, repetir afirmações ou imaginar que toda ocorrência exterior foi produzida pela mente. Essa ideia pode transformar a espiritualidade em culpabilização: se tudo fosse criado individualmente pelo pensamento, a pessoa adoecida seria culpada por sua doença, a vítima pela violência sofrida e o pobre pela estrutura que o oprime.
Uma visão madura da cocriação reconhece múltiplas forças.
Criamos dentro de condições biológicas, sociais, históricas e ecológicas que não escolhemos integralmente. Somos agentes, mas não somos absolutos. Participamos da realidade, mas não somos seus únicos autores.
Sob uma perspectiva compatível com a ciência, cocriação pode ser compreendida como o processo pelo qual atenção, intenção, emoção, comportamento, vínculos e ambiente entram em ciclos de retroalimentação.
Aquilo em que prestamos atenção influencia o que percebemos.
Aquilo que percebemos influencia nossas decisões.
Nossas decisões afetam outras pessoas.
As respostas dessas pessoas transformam novamente o campo no qual agimos.
Assim se formam famílias, comunidades, culturas, instituições e futuros possíveis.
A cocriação não é a fantasia de um ego que ordena ao cosmos. É a responsabilidade de uma consciência que compreende que toda ação entra em uma rede de consequências.
Não se pode pedir paz alimentando conflitos.
Não se pode pedir abundância construindo escassez para os outros.
Não se pode pedir cura enquanto se preservam os comportamentos que aprofundam a ferida.
Não se pode invocar a unidade enquanto se cultiva desprezo por quem pensa, vive ou acredita de maneira diferente.
As emoções que “não atravessam os portais da cocriação” não precisam ser entendidas como sentimentos proibidos. Todos sentiremos medo, tristeza, raiva, ciúme e insegurança. O que não atravessa o portal de uma criação verdadeiramente regeneradora é a transformação desses estados em sistemas de humilhação, exploração e domínio.
O medo pode criar fortalezas, mas não comunhão.
A violência pode impor silêncio, mas não gerar paz.
A arrogância pode reunir seguidores, mas não despertar consciência.
A manipulação pode erguer estruturas, mas não mundos vivos.
Pode haver criação sem amor.
O que não haverá é regeneração.
A quântica e os limites da metáfora
A mecânica quântica revelou uma realidade muito mais estranha e sutil do que o senso comum imaginava. Em escalas microscópicas, sistemas podem ser descritos por superposições de possibilidades, apresentar correlações de emaranhamento e produzir resultados probabilísticos.
Experimentos relacionados às desigualdades de Bell demonstraram que certas correlações quânticas não podem ser explicadas por modelos locais clássicos simples. Essas descobertas transformaram a física e deram origem a tecnologias de informação quântica. Contudo, elas não demonstram que o pensamento humano possa controlar acontecimentos externos à distância, nem que desejar algo intensamente obrigue o universo a realizá-lo.
No mundo macroscópico, os sistemas interagem continuamente com o ambiente. Esse processo produz decoerência, pela qual delicadas relações quânticas de fase tornam-se rapidamente inacessíveis, contribuindo para a emergência do comportamento clássico que observamos no cotidiano (ZUREK, 2003; SCHLOSSHAUER, 2005).
A palavra “observador”, na física quântica, também não deve ser confundida automaticamente com uma mente humana. Uma medição envolve uma interação física capaz de registrar informação. Não é necessário que uma consciência contemple o experimento para que ocorram os efeitos físicos associados à medição e à decoerência.
Além disso, cálculos sobre os tempos de decoerência em processos neurais indicam que os graus de liberdade relacionados à atividade cognitiva ordinária podem ser descritos, em grande parte, por dinâmicas clássicas, sem que seja necessário supor que o cérebro funcione como um computador quântico coerente (TEGMARK, 2000).
Isso não diminui o Mistério.
Ao contrário, protege-o.
A mecânica quântica pode inspirar reflexões filosóficas sobre relação, indeterminação e os limites do conhecimento. O que ela não pode fazer, sem perda de rigor, é servir como selo científico para toda afirmação espiritual.
Podemos dizer poeticamente que somos participantes do universo.
Não podemos concluir, a partir disso, que o ego individual administra suas leis.
Podemos reconhecer que a realidade fundamental desafia nossas intuições.
Não podemos usar esse espanto para proclamar: “Se Deus pode, eu posso”.
A humildade científica começa exatamente onde termina a apropriação indevida do mistério.
“O que está em cima é como o que está embaixo”
A antiga máxima atribuida a Hermes Trimegristo da correspondência não afirma que o ser humano seja onipotente. Ela pode ser compreendida como um convite à percepção de padrões, relações e espelhamentos entre diferentes dimensões da existência.
No entanto, quando retirada de seu contexto ético, ela pode ser convertida em justificativa para a inflação do ego.
“O que está em cima é como o que está embaixo” não significa que tudo o que a Totalidade pode realizar esteja disponível à vontade particular de uma personalidade egoista.
A onda pertence ao oceano, mas não contém todo o oceano sob seu comando.
A célula participa do corpo, mas não governa sozinha o organismo.
O ser humano pertence ao cosmos, mas não se torna senhor do cosmos por reconhecer essa pertença.
Talvez a correspondência mais urgente seja outra:
Uma consciência fragmentada tende a produzir relações fragmentadas.
Uma mente limitada pelo medo tende a construir sistemas defensivos.
Um ser humano governado pela raiva pode transformar feridas não elaboradas em palavras, decisões e estruturas que perpetuam a dor que ele ainda não conseguiu compreender e seguir gerando mais conflitos.
Um coração reconciliado amplia a possibilidade de reconciliação.
O que está dentro não cria sozinho tudo o que está fora, mas participa da forma como encontramos, interpretamos e transformamos o mundo.
As mensagens da água e o legado de Masaru Emoto
Masaru Emoto tornou-se conhecido por fotografias de cristais de gelo que, segundo sua interpretação, assumiriam formas mais harmoniosas quando a água fosse exposta a palavras, músicas ou intenções positivas, e formas menos harmoniosas diante de mensagens consideradas negativas (EMOTO, 2004).
Suas imagens alcançaram milhões de pessoas porque oferecem uma metáfora poderosa: a ideia de que a matéria mais íntima da vida responderia à qualidade de nossa consciência.
Alguns estudos posteriores procuraram testar aspectos dessa hipótese. Um experimento piloto duplo-cego relatou diferenças nas avaliações estéticas de cristais produzidos a partir de amostras submetidas a intenções à distância (RADIN et al., 2006).
Uma tentativa de replicação com desenho descrito como triplo-cego também encontrou um efeito pequeno em avaliações subjetivas de beleza. Contudo, a significância não se manteve em uma das análises quando outra variável subjetiva foi considerada, e medidas mais objetivas de contraste não apresentaram o mesmo padrão de forma consistente. Os próprios autores reconheceram a existência de diversos graus de liberdade experimentais e decisões humanas capazes de limitar a interpretação dos resultados (RADIN et al., 2008).
Esses estudos, portanto, não estabelecem que palavras, pensamentos ou emoções alterem diretamente a estrutura molecular da água.
A formação de cristais de gelo é altamente sensível à temperatura, às impurezas, à taxa de congelamento, à direção do processo e a outras condições físicas. Pequenas variações podem produzir morfologias distintas (VETRÁKOVÁ et al., 2019).
A própria água líquida é uma rede extremamente dinâmica. As ligações de hidrogênio entre suas moléculas se reorganizam em escalas de tempo muito rápidas, o que torna cientificamente problemática a ideia de uma memória estável e duradoura gravada apenas por palavras ou intenções (LIU et al., 2018).
Mas rejeitar uma conclusão científica não exige desprezar a potência simbólica de uma imagem.
Talvez a pergunta mais fecunda não seja: “A água escuta nossas palavras?”
Talvez seja: “O que, em nós, escuta?”
Nosso sistema nervoso escuta.
Nosso corpo escuta.
Uma criança escuta.
Uma comunidade escuta.
A pessoa humilhada escuta.
A pessoa acolhida também.
Palavras não precisam reorganizar cristais de gelo para reorganizar uma vida.
Uma sentença ou experiência repetida por anos pode tornar-se crença ou padrão de identificação reproduzido no mundo.
Uma crença pode tornar-se postura.
Uma postura pode tornar-se escolha.
Uma escolha pode atravessar gerações.
É nesse campo que as mensagens da água podem ser recebidas como símbolo, sem serem confundidas com comprovação.
A água nos ensina fluidez.
Ensina receptividade.
Ensina que a força nem sempre está no confronto, mas na persistência.
Contorna a pedra sem deixar de seguir em direção ao mar.
A linguagem do universo é o amor
Quando a Grande Avó Jaci afirma que a linguagem do universo é o amor, não precisa estar falando de uma força física adicional, mensurável em laboratório, como o eletromagnetismo ou a gravidade.
Ela aponta para uma ética de pertencimento.
O amor, aqui, não é mero sentimentalismo. É a consciência de que nenhum ser existe isoladamente. É o reconhecimento de que viver é trocar matéria, energia, informação, cuidado e consequência.
As estrelas não brilham isoladas de sua história cósmica.
Os rios não bebem a própria água.
As árvores não respiram apenas para si.
Nossos corpos carregam elementos forjados em estrelas antigas e permanecem vivos por meio de relações contínuas com o ar, os alimentos, os microrganismos, a luz e os outros seres.
O universo inteiro parece pronunciar, em incontáveis linguagens, uma verdade fundamental: nada existe sozinho.
O amor é a tradução ética dessa interdependência.
Amar é reconhecer que a dor causada ao outro não desaparece do tecido comum.
É compreender que não há vitória verdadeira quando alguém precisa ser humilhado para que outro se sinta superior.
É perceber que todo poder sem serviço tende a corromper-se e que toda inteligência sem compaixão pode tornar-se perigosa.
Por isso, uma civilização pode dominar máquinas e continuar emocionalmente primitiva.
Pode alcançar as estrelas e ainda explorar os vulneráveis.
Pode investigar a estrutura da matéria e permanecer ignorante sobre a dignidade da vida.
Pode falar em progresso enquanto destrói florestas, envenena águas e transforma seres humanos em instrumentos descartáveis de produção.
A verdadeira evolução não pode ser medida apenas pela distância percorrida por nossas naves, mas pela profundidade alcançada por nossa responsabilidade.
Não basta tocar outros mundos. É preciso aprender a não ferir este.
Não basta compreender a energia dos átomos. É preciso compreender a energia humana de uma palavra.
Não basta descobrir as leis do cosmos. É preciso permitir que essas leis despertem em nós reverência e humildade.
As asas da cobra
O universo não dará asas à cobra enquanto o veneno for confundido com força de domínio.
Mas talvez, quando a criatura aprender a transmutar o veneno em medicina, as asas deixem de representar poder e se tornem símbolo de consciência.
A serpente é uma imagem antiga de transformação. Ela troca de pele. Desce às profundezas. Move-se rente à terra. Em diversas culturas, também representa cura e sabedoria.
O problema não é a serpente.
É o veneno inconsciente.
É a ambição que deseja elevar-se sem purificar suas intenções.
É o ego que aprende palavras sagradas, fórmulas científicas e símbolos iniciáticos apenas para reforçar a própria importância.
Conhecimento sem ética não ilumina. Amplifica.
Nas mãos da compaixão, a tecnologia pode curar, aproximar e proteger.
Nas mãos da inconsciência, a mesma tecnologia pode vigiar, excluir e destruir.
Talvez a verdadeira iniciação da humanidade não seja tecnológica, mas emocional.
Talvez o próximo salto evolutivo não aconteça quando construirmos máquinas mais poderosas, mas quando aprendermos a não colocar poder ilimitado nas mãos de consciências não examinadas.
Talvez a Nova Terra comece quando compreendermos que governar não é dominar, mas cuidar.
Governar a si mesmo é escutar as próprias emoções sem se tornar prisioneiro delas.
Governar uma comunidade é proteger a dignidade de todos.
Governar uma nação é servir às gerações presentes sem roubar o futuro das próximas.
Governar qualquer parcela da vida é responder por ela.
Nesse dia, não desejaremos mais conquistar o universo.
Desejaremos participar conscientemente dele.
E compreenderemos que os verdadeiros portais da cocriação não se abrem diante da grandiosidade do ego, ainda que ele recite e domine fórmulas, símbolos e discursos espirituais.
Eles se abrem quando intenção e ação se tornam coerentes.
Quando conhecimento e responsabilidade caminham juntos.
Quando poder se transforma em serviço.
Quando a serpente já não pede asas para dominar os céus, mas aprende a transmutar seu veneno para proteger a vida.
Então talvez escutemos a linguagem silenciosa das estrelas.
A linguagem que não humilha.
Não oprime.
Não separa.
Não destrói.
A linguagem do amor.
Em gratidão, graça e alegria,
Mônica Lampe
No próximo texto expandiremos a compreensão sobre mais um ensinamento da Grande Avó Jaci.
A Terra Não Se Abre ao Orgulhoso
“A Terra não se abre ao orgulho, apenas ao humilde.”
— Grande Avó Jaci
Talvez essa seja a chave de tudo.
A Terra não se abre ao orgulho porque o orgulho não se aproxima para conhecer. Aproxima-se para possuir.
O orgulho não escuta: interpreta antes de ouvir.
Não contempla: classifica.
Não se relaciona: utiliza.
Não pede licença: invade.
A humildade, ao contrário, não é a diminuição do ser, nem a negação de sua potência. Humildade é a consciência da medida. É saber que pertencemos ao mistério sem sermos proprietários dele. É reconhecer que participamos da criação sem nos tornarmos senhores das forças que a sustentam.”
Em gratidão, graça e alegria,
Mônica Lampe
No Oráculo de Delfos havia uma inscrição: “Conhece-te a ti mesmo”.
Aqui propomos o Mapa da Clareza para que você descubra mais sobre si mesmo(a)!
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Referências
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KLEIM, Jeffrey A.; JONES, Theresa A. Principles of experience-dependent neural plasticity: implications for rehabilitation after brain damage. Journal of Speech, Language, and Hearing Research, v. 51, n. 1, p. S225–S239, 2008. DOI: 10.1044/1092-4388(2008/018).
LIU, Jinfeng; HE, Xiao; ZHANG, John Z. H.; QI, Lian-Wen. Hydrogen-bond structure dynamics in bulk water: insights from ab initio simulations with coupled cluster theory. Chemical Science, v. 9, n. 8, p. 2065–2073, 2018. DOI: 10.1039/C7SC04205A.
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