15 de agosto de 2026
O que se pede de nós agora?Não estou pedindo que você largue tudo e vá para o Sudão.Estou pedindo algo mais difícil, em certo sentido: que você pare de fingir que não sabe.Que você abra o Relatório Global sobre Tráfico de Pessoas da UNODC — está disponível gratuitamente em português. Que você acompanhe o trabalho da CPI do Marajó, das denúncias do Ministério Público do Pará, das ONGs que operam na Amazônia sem qualquer visibilidade. Que você apoie financeiramente — de forma recorrente, ainda que modesta — organizações que atuam em proteção à infância, em resgate de vítimas de tráfico, em assistência jurídica a mulheres em situação de risco.Que você vote com este tema em mente. Que você exija de candidatos posições concretas sobre proteção de humanitários, sobre financiamento de conselhos tutelares, sobre políticas específicas para o Marajó, para o Alto Solimões, para as fronteiras esquecidas do país.Que você cuide dos humanitários que já estão perto de você — o médico que atende no SUS de periferia, a professora que dá aula em escola de assentamento, a assistente social do CREAS, a agente comunitária de saúde ribeirinha. Eles são os Majd Kamalmaz brasileiros. Estão inteiros, ainda. E seguem vulneráveis a violências que nunca virarão manchete.Que você eduque quem está ao seu redor — sobretudo as crianças, sobretudo os adolescentes — sobre o que é tráfico humano, sobre como as redes de aliciamento operam nas redes sociais, sobre o que é uma abordagem suspeita, sobre para onde denunciar (Disque 100, no Brasil).E que você se cuide — porque olhar para essa realidade sem se destruir emocionalmente exige coerência interna, exige respiração, exige regulação do próprio sistema fisiológico, mental e emocional. Não é acaso que Majd Kamalmaz fosse treinador HeartMath. Ele sabia: sem regulação interna, o humanitário desaba antes de a bala chegar. Cuidar de si é a primeira condição para poder cuidar do outro sem colapsar.










